Nem participativo, nem centralizador: por que ser um líder situacional?

Buscar equilíbrio entre as características pessoais e o desejo dos times é a chave para uma boa liderança

Tenho acompanhado boa parte da literatura sobre liderança e, mesmo considerando as mais modernas teorias sobre o tema, ainda tenho a nítida convicção de que o importante é adotarmos uma postura para cada situação, ou seja, a tradicional liderança situacional.

Isso porque cada cenário demanda uma ação diferente. Se fizermos uma divisão mais simplista, chegamos a dois extremos: liderança autocrática, focada na centralização; e liderança participativa, com o driver oposto — o da descentralização.

Porém, não significa abandonar o seu estilo próprio. Sim, sempre teremos um comportamento predominante, que varia de acordo com a nossa trajetória de vida, nossa personalidade e valores individuais. Dependendo da nossa história, seremos mais centralizadores ou não. O importante é você perceber que o erro está nos extremos, ou seja, em ser somente centralizador ou descentralizador em todos os momentos.

Normalmente, o líder autocrático é orientado para tarefas e o líder participativo é orientado para pessoas

No ambiente de trabalho, algumas decisões serão tomadas exclusivamente por você como líder, outras terão a participação de seus liderados, podendo inclusive serem tomadas por eles próprios. É necessário entender o que será definido por você, por sua equipe ou em conjunto, para que não haja surpresas e nem frustrações de nenhuma das partes envolvidas.

Normalmente, o líder autocrático é orientado para tarefas e o líder participativo é orientado para pessoas. É possível que você tenha resultados eficientes quando orientado para a tarefa, mas também acabe por trazer desmotivação na equipe, que não se sente parte do processo.

Como líder orientado para pessoas você poderá ter um time bem comprometido, porém pode criar um ambiente baseado na permissividade. Aqui, novamente, a dica é evitar extremismos: o líder autocrático não deve se tornar um tirano, assim como o líder participativo não deve ser um demagogo.

É necessário entender o que será definido por você, por sua equipe ou em conjunto, para que não haja surpresas e nem frustrações de nenhuma das partes envolvidas

Muito profissionais participativos me dizem que gostariam de ser como seus pares centralizadores ou vice e versa. Cuidado com esses sentimentos, pois assumir um novo perfil não é simples. Nessas tentativas de mudanças radicais, você talvez não tenha a estrutura emocional para suportar as respostas que as situações te colocarão e pode acabar se frustrando. Busque um equilíbrio entre as suas características pessoais e o líder que o seu time gostaria que você fosse.

Armando Lourenzo é Doutor e Mestre em Administração pela FEA USP. Pós Doutorando em Administração pela FEA/USP. Pòs Graduando em Filosofia pela PUC. Diretor da Ernst & Young University. Presidente do Instituto Ernst & Young. Professor da FIA, USP (PECEGE) e Casa do Saber. Colunista da revista Você SA (versão digital). Mentor da revista Exame. Autor de artigos e livros na área de negócios. Palestrante em eventos nacionais e internacionais. Premiado como um dos três melhores Learning Leader of the year nos EYU em 2016, 2017 e 2018.

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