Já pensou em abrir uma empresa com alguém da família?

Cada vez mais veremos o trabalho substituir o conceito tradicional de emprego e uma alternativa de carreira pode vir a ser virar um empreendedor. Criar uma empresa é uma tarefa desafiadora e que exige muita criatividade, garra, planejamento e desenvolvimento contínuo. Alguns entraves aparecerão pelo caminho, mas é preciso seguir em frente com soluções diferenciadas, de baixo custo e criativas.

É comum o futuro empresário ser direcionado para a ação e não fazer uso do planejamento, mas essa é uma atitude que pode comprometer o resultado do negócio.

Perceba que fazer um planejamento não significa garantia de sucesso, pois o planejamento pode ter sido feito de maneira incorreta. Por outro lado, ele amplia em muito as chances de sucesso e assim conseguir tanto a sobrevivência quanto o crescimento da empresa. Outro aspecto interessante do planejamento refere-se ao “plano B”, pois o segredo não está em visualizar certeiramente o futuro, mas em ser capaz de formular planos contingenciais para qualquer tipo de cenário futuro que possa surgir.

Dentro desse conceito de planejamento entra a figura de um plano de negócio. O plano deve ser feito antes da abertura da empresa para poder visualizar o futuro negócio de maneira mais ampla.

Uma dúvida muito grande neste momento de criação da empresa é a escolha de quem será seu sócio e é comum que uma pessoa da família seja escolhida tendo como um dos critérios a confiança.

 

A empresa familiar, atualmente representa uma parte significativa no conjunto das empresas privadas existentes no país e no mundo, onde pesquisas mais conservadoras apontam para o percentual de 75% aproximadamente em termos mundiais. Seus problemas são muito conhecidos: conflitos, dificuldades para a transferência do comando (sucessão) e profissionalização.

A profissionalização pode ser entendida em seu sentido mais amplo como uma administração onde a propriedade está separada da gestão, ou seja, família é família e empresa é empresa. É claro que a profissionalização na prática, não quer dizer substituição total dos parentes por pessoas de fora, pois podem existir membros da família que sejam qualificados e competentes para o exercício da atividade profissional.

É comum as empresas familiares serem caracterizadas pela presença de conflitos entre os sócios, os quais, muitas vezes são os próprios irmãos e/ou pais.

Dentro da possibilidade de uma avaliação precipitada sobre a existência de conflitos nas empresas familiares pode existir a percepção de que eles não existem, porém na realidade os conflitos podem ser reais e estarem abafados. As pesquisas nos mostram que 85% das empresas familiares têm conflitos.

Com o tempo a prática – abafar os conflitos – faz com que os mesmos aumentem e fiquem incontroláveis – e com isto a empresa sofra as consequências e muitas vezes até desapareça.

Os principais atores de conflitos são:

  • Pai versus filho,
  • Brigas entre irmãos,
  • Relação entre cônjuges e
  • Relação entre tios e primos.

A comunicação é a chave para a redução de conflitos e contribui para evitar que ocorram. Um bom instrumento para auxiliar a comunicação é o acordo familiar, no qual se regula a convivência entre a empresa e a família através do estabelecimento de regras.

Conflitos entre os integrantes familiares podem ser identificados como os principais obstáculos à continuidade desse tipo de empresa. Os conflitos são considerados uma  das principais dificuldades no ciclo de vida das empresas familiares e, nos momentos coincidentes com a troca de comando de uma geração familiar para outra, podem ser potencializados. É nitidamente difícil eliminar os conflitos, porém eles devem ser gerenciados e reduzidos a níveis aceitáveis no que tange à perpetuação deste tipo de empresa.

Identificar os tipos mais comuns de conflitos é importante, mas conhecer suas verdadeiras causas é o que pode colaborar para sua redução. Somada a este conhecimento, a comunicação intensa entre os familiares e a existência de regras claras de convivência e aceitas por todos também podem constituir mecanismos de gerenciamento de conflitos nas empresas familiares.

Ter uma empresa familiar pode trazer um grande orgulho para as famílias, além de ser muito importante para a economia do nosso país. Por outro lado e dentro da dinâmica, deste tipo de empresa, alguns aspectos, entre outros, devem ser cuidados de perto: sucessão; conflitos; desenvolvimento dos familiares, sócios, herdeiros e sucessores; centralização dos fundadores, relacionamentos familiares, estratégia, gestão e governança corporativa.

 

Armando Lourenzo. Doutor e Mestre em Administração pela FEA/USP. Presidente do Instituto da EY e Diretor da Ernst Young University. Escritor. Palestrante em eventos nacionais e internacionais. Professor na FIA, USP (PECEGE) e Casa do Saber.  Mentor da revista Exame. Autor de livros e artigos na área de negócios.

 

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